Imagine uma mulher que, em silêncio, enfrenta medo e insegurança no lugar onde deveria se sentir mais protegida: o próprio lar. No Brasil, milhares de mulheres vivem essa realidade, e a campanha Agosto Lilás surge como um farol de esperança.
Criada para conscientizar e combater a violência contra a mulher, essa iniciativa ganha força em 2025, marcando os 19 anos da Lei Maria da Penha. Com números alarmantes — como 1.492 feminicídios em 2024 e 86 mil denúncias apenas nos primeiros sete meses de 2025 —, a campanha mobiliza a sociedade para transformar símbolos em ações.
Por que tantas mulheres ainda sofrem em silêncio? Este texto explora o impacto do Agosto Lilás, seus avanços e os desafios que persistem.
O que é o Agosto Lilás?
O Agosto Lilás é uma campanha nacional realizada todo mês de agosto no Brasil. Seu objetivo é sensibilizar a população sobre a violência contra a mulher, promovendo a igualdade de gênero e a aplicação da Lei Maria da Penha.
A cor roxa simboliza a luta pela dignidade e segurança das mulheres. A campanha incentiva ações educativas, debates e políticas públicas para prevenir e combater a violência doméstica e familiar.
Por que agosto?
O mês de agosto foi escolhido por marcar o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. Essa lei é um marco na proteção às mulheres, e o Agosto Lilás reforça sua relevância, chamando atenção para a necessidade de ações contínuas.
História da campanha Agosto Lilás
A campanha começou em 2016, inicialmente em alguns estados, como uma forma de dar visibilidade à Lei Maria da Penha. Com o tempo, ganhou alcance nacional, mobilizando governos, ONGs e a sociedade civil. Em 2025, o Agosto Lilás completa quase uma década, com eventos como caminhadas, palestras e ações nas redes sociais.
A campanha evoluiu, incorporando temas como violência psicológica e digital, que cresceram nos últimos anos. Hoje, ela não só educa, mas também pressiona por políticas públicas mais eficazes.

Como identificar sinais de violência contra a mulher
Muitas vezes, a violência não deixa marcas visíveis, mas os sinais estão lá. Identificá-los é o primeiro passo para ajudar. Alguns indicadores incluem:
- Isolamento social: A mulher evita contato com amigos ou familiares.
- Mudanças de comportamento: Baixa autoestima, ansiedade ou medo constante.
- Controle excessivo: O parceiro decide o que ela veste, com quem fala ou aonde vai.
- Sinais físicos: Hematomas, arranhões ou lesões que ela tenta explicar de forma vaga.
Corina Mendes, pesquisadora da Fiocruz, destaca que a violência doméstica ocorre, na maioria, no lar, por pessoas próximas, como parceiros ou ex-parceiros.
Observar esses sinais pode salvar vidas. Já parou para pensar se alguém próximo a você pode estar precisando de ajuda?
Legislação atualizada: Lei Maria da Penha em 2025
A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, completou 19 anos em 2025. Ela estabelece medidas protetivas, como afastamento do agressor, proibição de contato e transferência da vítima para abrigos. Em 2025, novas leis fortaleceram suas bases.
A Lei No. 15,123, assinada em abril, aumenta punições para violência psicológica com uso de inteligência artificial. A Lei No. 15,125 permite monitoramento eletrônico de agressores, garantindo maior segurança às vítimas.
Apesar disso, a subnotificação segue como obstáculo, com apenas 10% dos casos denunciados, segundo dados históricos.
Como denunciar casos de violência doméstica
Denunciar é um passo essencial para quebrar o ciclo da violência. Veja como agir:
- Ligue 180: A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas, é gratuita e confidencial. Em 2025, recebeu 86 mil denúncias até julho.
- Procure a polícia: Ligue 190 em emergências ou vá a uma Delegacia da Mulher.
- Busque apoio jurídico: Defensorias públicas oferecem assistência gratuita.
- Acesse serviços de saúde: Hospitais e unidades como o IFF/Fiocruz atendem vítimas com suporte psicológico.
Denunciar pode ser assustador, mas é um ato de coragem. Já pensou no impacto que uma denúncia pode ter na vida de uma mulher?
Como apoiar vítimas de violência
Apoiar uma vítima exige sensibilidade. Algumas formas de ajudar incluem:
- Ouvir sem julgar: Ofereça um espaço seguro para ela desabafar.
- Incentivar a denúncia: Informe sobre o Ligue 180 ou outros canais.
- Acompanhar a vítima: Vá com ela a delegacias ou serviços de apoio.
- Respeitar o tempo dela: A decisão de agir é dela, mas sua presença faz diferença.
Pequenas ações, como compartilhar informações sobre o Agosto Lilás, também amplificam a luta. Que tal começar hoje?
Consequências da violência contra a mulher
A violência deixa marcas profundas. Além das lesões físicas, muitas mulheres enfrentam depressão, ansiedade e traumas psicológicos. Em favelas, a pandemia de COVID-19 agravou esses problemas, segundo estudos de 2025.
Economicamente, a dependência financeira dificulta a saída de relações abusivas. Socialmente, o estigma e a subnotificação perpetuam o ciclo. Dados de 2024 mostram 87.545 casos de estupro, o maior número já registrado, evidenciando a urgência de ações.
Dúvidas frequentes
- O que é o Agosto Lilás? É uma campanha anual de agosto que conscientiza sobre a violência contra a mulher, reforçando a Lei Maria da Penha.
- Como funciona a Lei Maria da Penha? A lei protege mulheres contra violência doméstica, com medidas como afastamento do agressor e apoio jurídico.
- Quais são os tipos de violência contra a mulher? Incluem violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, como ofensas ou perseguição.
- Como denunciar violência anonimamente? Ligue 180, que é confidencial, ou procure uma Delegacia da Mulher para relatar sem se identificar.
- O que fazer para ajudar uma vítima? Ouça sem julgar, informe sobre canais de denúncia e acompanhe-a, se ela permitir, em busca de ajuda.
- O Agosto Lilás é mais que uma campanha; é um chamado para mudar a realidade de milhões de mulheres. Com 1.492 feminicídios em 2024 e 86 mil denúncias em 2025, a luta contra a violência de gênero exige ação coletiva.
A Lei Maria da Penha, com suas atualizações, e iniciativas como o Ligue 180 são ferramentas poderosas, mas a mudança começa com cada um. Observar sinais, apoiar vítimas e espalhar conscientização fazem diferença.
E você, o que pode fazer para tornar o Brasil mais seguro para as mulheres? Para mais informações, acesse o site Quero Pé de Meia.












